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Como os EUA estão intensificando a guerra às drogas de Trump na América Latina?

Publicado em: 01/10/2026 Atualizado:: outubro 1, 2026

O Pentágono, no estado americano da Virginia — Foto: Tom Brenner/Bloomberg

 

Ações futuras poderão incluir ataques, prisões, operações contra esconderijos e até medidas como o aumento do uso de scanners de carga em postos de fronteira

 

Um ano após iniciar ataques contra barcos que dizem suspeitos de transportar drogas, o Pentágono está ampliando o papel dos militares dos Estados Unidos no combate aos cartéis na América Latina e no Caribe. A estratégia, explicou ao jornal americano Wall Street Journal Francis Donovan, o principal general responsável pela operação, inclui drones de alta tecnologia para mapear redes de contrabando e o envio de tropas americanas para auxiliar em operações terrestres.

— Vejo ataques terrestres como opções? Sim. Queremos todas as opções sobre a mesa — disse ao WSJ o comandante do Comando Sul dos EUA.

Segundo ele, as ações podem incluir ataques, prisões, operações contra esconderijos e até medidas como o aumento do uso de scanners de carga em postos de fronteira, acrescentando que o objetivo é impor “fricção sistêmica total” aos cartéis.

As declarações ocorrem em um contexto de aumento da cooperação militar com países latino-americanos nos últimos meses.

No Equador, por exemplo, cerca de 50 militares e agentes de segurança dos EUA participaram de incursões contra uma suposta rede de tráfico de cocaína ligada a um cartel mexicano, segundo autoridades militares americanas. Foi a primeira vez que tropas dos EUA participaram diretamente de operações policiais no país.

Somente neste ano, os EUA já ajudaram o Equador a bombardear um suposto acampamento de tráfico de drogas, participaram de uma operação com a Venezuela que matou o líder da organização criminosa Tren de Aragua — classificada como “terrorista” por Washington — e forneceram inteligência para operações na Colômbia. Autoridades colombianas também disseram recentemente ter usado drones americanos com sensores infravermelhos para localizar um suposto líder de uma gangue.

Tal modelo deve ser ampliado para outros países sob o governo de Donald Trump, representando uma ampliação significativa da atuação do Comando do Sul, que tradicionalmente mantinha uma presença militar mais limitada na região, concentrada em compartilhamento de inteligência, interceptações, treinamento e assistência em desastres.

Porém, segundo Donovan, as condições geográficas latino-americanas tornam as operações especialmente complexas, por suas florestas densas, rios, montanhas, condições climáticas severas e variações de maré. Por isso, explica, alguns drones e barcos não tripulados serão usados em rios e áreas de selva para identificar laboratórios de drogas e plataformas semissubmersíveis.

— É incrivelmente desafiador — disse ele. — Quando você acrescenta as redes fluviais, seus fluxos diários e mudanças de maré de até seis metros, isso apresenta um conjunto único de problemas geográficos e topográficos que simplesmente não tivemos de enfrentar antes.

 

MQ-9 Reaper, drone mais letal dos Estados Unidos

 

Para auxiliar nas operações, o Pentágono está cogitando a transferência de drones MQ-9 Reaper da África para a América Central e a América do Sul, segundo autoridades dos EUA familiarizadas com os planos e que falaram sob condição de anonimato ao jornal. Os equipamentos são capazes de interceptar comunicações eletrônicas, detectar assinaturas térmicas e realizar ataques de precisão, tendo sido utilizados em operações contra barcos suspeitos de transportar drogas, segundo a rede americana CNN.

Donovan, porém, não comentou sobre a proposta.

 

‘Ameaça na região’

Desde o primeiro ataque a embarcações no Caribe, em setembro de 2025, o governo Trump passou a realizar ataques contra barcos que considera ligados a cartéis e ao transporte de drogas no Atlântico e no Pacífico. Trump classifica o confronto como um “conflito armado” contra os cartéis latino-americanos e defende que as operações são necessárias para impedir que drogas cheguem às comunidades americanas e provoquem mortes por overdose.

Foram mais de 70 ataques a embarcações nas águas ao redor da América Latina, que deixaram ao menos 230 mortos.

A possibilidade de operações para além dos ataques contra barcos, porém, pode aumentar o escrutínio jurídico interno, já que especialistas e parlamentares questionam essa alegação do governo de que os EUA estão em um conflito armado com os cartéis sem uma autorização do Congresso.

Segudo o WSJ, o Departamento de Estado também planeja redirecionar US$ 52 milhões (R$ 268 milhões) em financiamento militar estrangeiro de países como Eslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia e Iraque para Colômbia, Equador, Peru e Panamá. A medida, diz o jornal, poderia ajudar os países latino-americanos a comprar mais equipamentos e serviços militares dos EUA.

Para Donovan, a crescente lista de países que trabalham com os EUA é um “testemunho da ameaça que as gangues de drogas representam em toda a região”:

— Eles não estão apenas fartos, mas sob enorme pressão por causa do impacto que essas organizações narcoterroristas tiveram sobre suas sociedades — disse Donavan. — A maioria deles está disposta a empregar suas forças militares e de segurança pública para alcançar esses objetivos.


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