Publicado em: 22/02/2026 Atualizado:: fevereiro 22, 2026
O município do Prado, no extremo sul da Bahia, volta a enfrentar tensão no campo após mais um episódio de ocupação de propriedade rural registrado neste sábado (21/02), em área localizada entre a Ponta do Corumbau e a Barra do Cahy. O caso reacende o debate sobre os conflitos agrários na região e amplia o clima de insegurança entre moradores e produtores.
Parte da sede da propriedade foi ocupada durante a manhã, segundo relatos de residentes. A movimentação teria ocorrido por terra e pelo mar. A Força Nacional de Segurança Pública, presente no município desde 2025 por determinação do Governo Federal, acompanha a situação. Até o momento, não há confirmação oficial de prisões ou feridos.
Donos de fazendas que relatam ter sido alvo de ocupações afirmam que o problema não é isolado e vem se repetindo em diferentes pontos do município. Segundo eles, há sensação de abandono por parte do poder público e demora na mediação e resolução dos conflitos fundiários.
De acordo com produtores rurais ouvidos pela reportagem, a ausência de soluções definitivas tem gerado medo constante, prejuízos financeiros e insegurança jurídica. Alguns relatam redução de investimentos, paralisação de atividades produtivas e queda na geração de empregos.
“Estamos vivendo uma situação de incerteza. Não sabemos quando pode acontecer uma nova ocupação e sentimos falta de uma resposta concreta das autoridades”, afirmou um proprietário que preferiu não se identificar.
A instabilidade também preocupa comerciantes e empresários do setor turístico. A região, conhecida pelo potencial natural e por atrair visitantes de diversas partes do país, estaria registrando cancelamentos e redução no fluxo de turistas, segundo relatos locais.
Além disso, pequenos e médios produtores rurais demonstram receio de ampliar suas atividades diante do cenário de insegurança. Moradores de localidades como Cumuruxatiba, Corumbau e Barra do Cahy afirmam que a tensão tem se espalhado e provocado divisão de opiniões dentro das próprias comunidades.
Especialistas em direito agrário apontam que conflitos dessa natureza exigem mediação institucional, atuação firme do Judiciário e políticas públicas de regularização fundiária que tragam segurança jurídica para todas as partes envolvidas — proprietários, investidores e comunidades tradicionais.
Até o momento, autoridades estaduais e federais não divulgaram posicionamento detalhado sobre o caso específico deste sábado. O espaço permanece aberto para manifestações oficiais, bem como para representantes das comunidades envolvidas.
Enquanto isso, o município do Prado segue convivendo com um impasse que ultrapassa a disputa pontual por uma propriedade e expõe um problema estrutural ainda sem solução definitiva.
Fonte: Bahiaextremosul