Publicado em: 19/05/2026 Atualizado:: maio 19, 2026

Mais de uma década se passou desde que os estampidos de um tiro de revólver calaram para sempre a voz de Francisco Silva Passos, o “Carlito Tanajura”, ex-prefeito da pequena Vereda. O crime, que em julho de 2006 manchou de sangue o chão do distrito de Bode Azul e chocou todo o Extremo Sul da Bahia, finalmente terá um capítulo decisivo. Mas o peso da Justiça cairá sobre os ombros de um só homem.
Nesta terça-feira, 19, a partir das 8 horas da manhã, no Fórum de Itanhém (Comarca responsável por Vereda), sentará no banco dos réus Escielis Correia Pinto, conhecido na região como “Helinho da Farinheira”. Ele é o único que responderá perante a sociedade e a família de Carlito por um plano macabro que, segundo a denúncia do Ministério Público, foi arquitetado nos bastidores da política local.
O CRIME E A FUGA DOS CÚMPLICES
O roteiro do assassinato foi cruel. De acordo com as investigações conduzidas à época pelo delegado André Luís Serra, a fúria do crime nasceu de uma desavença fundiária. Carlito, quando prefeito, desapropriou terras de Manoel Francisco da Mota, o “Chiquinho do Posto Dois Irmãos”, para construir uma cooperativa de piscicultura. Irritado, Chiquinho teria se unido a Jânio Pereira Leal e ao próprio Helinho para planejar a vingança.
Helinho foi o elo que contratou o serviço sujo. Coube a ele buscar Geferson Pereira da Silva (ou Daniel), o pistoleiro de vulgo “Chapéu”. No dia do crime, Chapéu abordou Carlito em sua casa, pediu um cigarro e, com a frieza de um matador profissional, disparou um tiro certeiro no rosto da vítima.
Após o crime bárbaro, a quadrilha se desfez como fumaça. Cientes de que eram o alvo da polícia, o pistoleiro “Chapéu” e o comparsa Jânio Pereira Leal fugiram e nunca mais foram vistos. Há 20 anos, ambos são foragidos da Justiça e jamais sentiram o gosto amargo de uma cela.
O PESO DA IMPUNIDADE
O destino, porém, deu um desfecho silencioso ao terceiro nome da lista. Manoel Francisco, o “Chiquinho”, morreu. Antes de morrer, sua punibilidade foi extinta pela prescrição, já que ele havia ultrapassado os 70 anos de idade. Ou seja, Chiquinho partiu sem pagar judicialmente pelo crime que teria encomendado.
Agora, toda a esperança por uma resposta judicial se concentra no julgamento desta terça-feira. Enquanto Chapéu e Jânio continuam como fantasmas – sumidos e impunes –, Helinho da Farinheira encarará o Conselho de Sentença. A sociedade do Extremo Sul, que tinha em Carlito Tanajura uma figura querida e respeitada, aguarda que a verdade venha à tona de uma vez por todas no plenário do Fórum de Itanhém. A pergunta que fica é: a Justiça finalmente será feita, ou a sombra de dois foragidos manchará também este veredito?
Fonte: LiberdadeNews
