Publicado em: 04/09/2026 Atualizado:: setembro 4, 2026

Imagem: Feijão Almeida
A mobilidade de Salvador revela duas concepções de transporte público. Enquanto o Governo do Estado amplia uma rede integrada e de alta capacidade, a Prefeitura concentra sua política nos ônibus e no BRT, ainda às voltas com problemas da frota e promessas que atravessam gestões.
O metrô conecta áreas estratégicas de Salvador e Lauro de Freitas e continua em expansão. O Estado também comprou novos trens e avança com o VLT, projetado com cerca de 43,7 quilômetros e 50 paradas, ligando o Subúrbio ao Comércio e conectado ao metrô em Águas Claras e no Bairro da Paz. Somados, os dois sistemas deverão formar uma rede de cerca de 80 quilômetros sobre trilhos na Região Metropolitana.
A nova Rodoviária, em Águas Claras, completa essa lógica. Integrada ao metrô, aos ônibus urbanos e, futuramente, ao VLT, oferece mais conforto para quem chega ou deixa Salvador. A transferência retirou da região do Iguatemi e do centro financeiro parte do tráfego pesado de ônibus rodoviários. Próxima à BR-324, à Avenida 29 de Março e à BA-528, a Rodoviária cria ainda um novo polo de circulação, serviços e crescimento urbano em uma área menos adensada.

Nova rodoviária de Salvador – Foto: Joá Souza
A Prefeitura seguiu outro caminho. Desde ACM Neto, a aposta principal foi o ônibus. O BRT, apresentado como vitrine desse modelo, já acumula sinais de deterioração. Em junho, reportagens mostraram na Estação Cidadela vidros quebrados, lixo e espaços comerciais abandonados.
O ar-condicionado resume outra diferença. Em 2012, ACM prometeu renovar a frota e colocar ônibus climatizados nas ruas. Governou Salvador por oito anos sem universalizar a medida. Bruno Reis herdou o compromisso e fixou 2028 como prazo para chegar a 100% da frota climatizada. Quatorze anos depois da promessa original, a meta continua pendente.
